| O AKITA, DÓCIL E SILENCIOSO GUARDIÃO
Sereno e silencioso, observador e discreto. Late apenas quando pressente algo suspeito. Reservado, dócil e temível. Limpo e asseado. Inteligente e incorruptível. Fiel e gentil. Corajoso e determinado. Não é tímido, nem se deixa amedrontar, atingindo seus objetivos com sucesso. Um guerreiro, que além de tudo é capaz de ser um dedicado amigo e companheiro de todas as horas.
É nobre, digno e altivo. Na sua educação, a obediência só é alcançada se acompanhada de muito respeito. Os filhotes devem ter muita atenção e devem ser socializados desde cedo.
Excelentes guardiões por natureza, os Akitas naturalmente evitam estranhos, quando estes não estão acompanhados pelo seu dono. Dificilmente faz amizade com qualquer pessoa, mas depois que seu coração for conquistado, torna-se um amigo eterno. Dizem ser um cão de um só dono, mas se apega e obedece a todos os membros da família, apresentando uma leve inclinação por algum deles, para o qual dirige e conduz seu olhar com mais freqüência. Relaciona-se bem com as crianças, permitindo as brincadeiras. Quando não quer brincar apenas se afasta.
O sucesso na guarda, o respeito ao silêncio e o bem viver em espaços pequenos, são alguns dos traços que definem esse cão de guarda e companhia. Uma das características mais reveladoras de sua personalidade é a extrema fidelidade, que aliada a imensa coragem, faz com que a raça primitiva seja comparada pelos japoneses à imagem de um Samurai, guerreiro que servia a um único senhor e por ele oferecia a própria vida. Sua maneira silenciosa é oriunda da cultura nipônica, dos akitas inus, que originaram e influenciaram a raça atual. Outra herança da cultura oriental é o temperamento reservado.
O Akita Americano protege seu dono por amor e seu território por instinto. A agressividade é uma arma muito bem guardada e usada apenas como último recurso. Quando alguém ronda a propriedade e oferece perigo, ele coloca-se imediatamente de prontidão. Observa cada movimento da pessoa, sem desviar a atenção por um segundo sequer. Pressentindo algo errado, late como sinal de advertência, impondo um limite que não deve ser ultrapassado. Caso seja, ele avisa rosnando, e prepara-se para uma ação mais drástica. Durante o trabalho de guarda, os akitas usam essencialmente a audição e a visão. São capazes de perceber a presença de um estranho a grande distância. Se invadem seu território, não sossegam enquanto não avisarem seu dono, fazendo-o de modo discreto, mas eficiente.
É rústico e robusto, porte adequado para a execução de suas funções. E pela sua aparência é chamado pelos americanos de “great bear” - grande urso.
Algumas teorias dizem que o temperamento foi desenvolvido a partir de sua utilização como cão de caça, pois precisavam permanecer em absoluto silêncio para não afugentar a presa. Seu comportamento ao caçar é muito similar ao dos felinos, que procuram se esconder e rastejar até a caça, para então pular vigorosamente sobre a presa, justificando assim a fama de cães saltadores.São muitos os adjetivos, mas que ainda significam pouco diante da grandeza dessa raça.
A ORIGEM DA RAÇA
Originário da Província de Akita na Ilha de Honshow, a raça é reconhecida no Japão como Patrimônio Nacional. O Akita é um cão do tipo Spitz, de origem primitiva, orelhas triangulares, cauda enroscada com a mesma aparência das raças nórdicas como o Husky Siberiano, Samoyeda e o Malamute do Alaska.
Além de um excelente cão de guarda, foi criado também para a caça de grandes animais como o alce, o antílope, o porco do mato e o Yezo, um grande urso existente no Japão que pode chegar a até 350 kg. Seus sentidos como a visão, o olfato, e a audição são muito apurados, fazendo do Akita um ótimo cão de guarda. Por ser um cão extremamente quieto, seu latido é considerado um alerta real, pois só late quando realmente há alguma coisa errada.
A EVOLUÇÃO DA RAÇA
Na época chamada de EDO, de 1603 à 1867, apenas aos nobres era dado o direito de possuir um Akita, que era homenageado em cerimonias especiais. Na era MEIJI, de 1868 à 1912 o Akita foi usado como cão de combate pois no Japão as rinhas eram praticadas. Nesta época, buscando mais resistência, força e tamanho, o Akita foi cruzado com o Tosa Inu, um forte cão japonês.
Em 1930 felizmente as lutas entre cães foram banidas pelo prefeito da província de Akita e a raça voltou a sua função inicial, que era a caça. Em 1927 para a preservar a pureza da raça, que quase foi extinta devido aos cruzamentos, foi criada a "Sociedade Akita Inu Hozankai "do Japão.
Quando o Akita em 1931 foi considerado Patrimônio Nacional, o governo japonês tomou todas as precauções para preservar a raça, até o ponto de proibir a sua exportação.
O Akita é considerado tão importante até hoje para o Japão que o governo mantem um campeão Akita, mesmo que o proprietário não tenha condições. No Japão é chamado de "Ichi-Ban" que significa "o numero um".
AS MUDANÇAS
A raça foi introduzida na Europa por volta dos anos 70 e nos Estados Unidos se deu após a guerra. As diferenças significativas entre os dois tipos, o japonês(Akita Inu) e o americano(Grande Cão Japonês) fizeram com que os dois países passassem a desenvolver seus tipos separadamente, criando assim o japonês; focinho mais fino, orelhas eretas, não muito grandes e inclinadas para a frente, sua estrutura física moderada, tipo de raposa. O americano com características de uma estrutura física mais robusta, orelhas pouco maiores, focinho mais grosso e curto, quase sempre de máscara negra, exceto os totalmente brancos, além de marcações e colorações variadas.
Assim seguiram os dois Akitas, em caminhos paralelos até junho de 1999, quando a FC I (Federação Cinológica Internacional) dividiu definitivamente a raça, com nomes diferentes. Todos os Akitas deveriam ser avaliados por juizes, os quais decidiriam a qual tipo pertenciam os exemplares.
Os nomes tiveram as definições de "Grande Cão Japonês" , para o tipo americano, e o japonês continuou chamando-se "Akita", seguindo seu antigo padrão. Outra definição importante é a proibição dos cruzamentos entre as duas raças à partir do ano 2000.
A última mudança, que passa a vigorar a partir de 2006, determina a mudança de nome do tipo americano, que justamente volta a ser chamado de Akita, preservando a forte influência em suas origens. Os dois Akitas portanto agora diferenciam-se nominalmente pelo tipo, acrescentado ao lado do nome da raça: Akita Japonês e Akita Americano. Além disso, os exemplares do tipo americano deixam de fazer parte do grupo 2, passam a figurar em seu lugar de origem, aonde estão os seus assemelhados no grupo 5, dos cães primitivos e do tipo Spitz.
UMA LENDA
Uma linda estória muito conhecida no Japão é a do cão chamado "Hachiko", que nasceu na província de Akita no ano de 1923. O seu proprietário , o professor Eisaburo Ueno do Departamento de Agricultura da Universidade de Tokyo, que residia próximo à estação de trem de Shibuya, tomava o trem para trabalhar todos os dias, sempre acompanhado de Hachiko, no trajeto de casa até a estação. Hachiko esperava o professor até a volta, no final do dia.
No dia 25 de maio de 1925 quando Hachiko tinha pouco mais de um ano de idade, foi a estação esperar seu dono, como fazia todos os dias. Mas, naquela tarde o professor Eisaburo havia falecido na Universidade em que trabalhava, e a sua espera foi em vão.
Durante os dez anos seguintes Hachiko voltou todos os dias até a estação para esperar seu dono. Ele esperava até o último trem. Passantes e frequentadores assíduos da estação costumavam alimentar o cão.
Em 1934, o fiel amigo morreu. Em sua homenagem foi erguida uma estátua na estação de Shibuya, e outra próxima da Odate Station, na província de Akita, tributos à fidelidade e inteligência da raça. O Akita é considerado também um amuleto de boa sorte. Ao nascimento de uma criança, a família recebe uma estatueta de Akita como desejo de saúde , felicidade e vida longa. Quando há alguém doente, amigos dão ao enfermo a estatueta, desejando pronta recuperação.
AKITA AMERICANO, SPETACOLLO AMERICAN AKITAS, COPYRIGHT 2007. |